Sampaio ouve comunidades do Baixo Rio Branco para incluir demandas no Código Ambiental de Roraima
Foto: Ascom/Divulgação
O relator do novo Código Ambiental de Roraima, deputado Soldado Sampaio (Republicanos), presidente da Assembleia Legislativa, percorreu o Baixo Rio Branco para ouvir ribeirinhos, empresários, guias, turistas e jovens estudantes. O objetivo foi colher contribuições para o texto final do projeto de lei, que busca conciliar preservação ambiental e desenvolvimento econômico sustentável das 15 comunidades da região.
Em Santa Maria do Boiaçu, comunidade com cerca de 500 moradores, o presidente do Fundo Comunitário e administrador da vila, Abraão Tenório Correia, destacou a relevância do turismo sustentável para a economia na região. Segundo ele, aproximadamente 40% da população local depende diretamente da atividade turística, trabalhando como guias, cozinheiras, camareiras e práticos de navegação. “O turismo é essencial para a sobrevivência das comunidades do Baixo Rio Branco”, afirmou Correia.
Diversas comunidades criaram um Fundo Comunitário, que é mantido por uma taxa paga pelas empresas de turismo. Em Santa Maria do Boiaçu, são R$ 500 por visitante que participa da temporada de pesca. No entanto, nem todos os empresários cumprem o acordo.
Sampaio ressaltou a necessidade de regulamentar por lei a cobrança dessa taxa. Para o deputado, a prioridade é garantir o bem-estar das comunidades ribeirinhas.
“Apuramos que apenas uma empresa se recusa a pagar o valor fixado. Vamos propor que o Código Ambiental traga essa exigência legal, incluindo mecanismos de cobrança e penalização da inadimplência. A maior riqueza do Baixo Rio Branco são os moradores. Não faz sentido termos um patrimônio natural dessa dimensão e o povo passar necessidade. Nosso desafio é conciliar preservação ambiental, turismo e qualidade de vida. Não era para ter pobreza aqui”, afirmou.
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Abraão Tenório reforçou como os recursos do fundo beneficiam os ribeirinhos. “Com esse dinheiro, conseguimos manter tratores para coleta de lixo, arrumar o porto, iluminar a vila, melhorar as ruas e cuidar da quadra de esportes. Quase tudo aqui é feito com recursos do fundo”, disse.
Ainda em Santa Maria do Boiaçu, Soldado Sampaio visitou a Escola Estadual José Bonifácio. O professor de história Gerauly Duarte e estudantes do Ensino Médio sugeriram que o Código Ambiental de Roraima preveja a destinação de parte dos recursos do turismo ou da venda de créditos de carbono para formação de jovens aprendizes e programas de geração de emprego para a juventude.
Turismo de pesca esportiva
O empresário Walace Porto, dono de um hotel flutuante no rio Água Boa do Univinir, elogiou a iniciativa do relator de ouvir a comunidade. “É fundamental participar dessa construção. O turismo de pesca esportiva é um setor sério e forte para Roraima. Os turistas vêm pelo tucunaré, o gigante da Amazônia, e também em busca de saúde mental, natureza preservada e da hospitalidade dos ribeirinhos”, comentou.
O empresário mineiro Célio Nogueira, em viagem com um grupo de pescadores, destacou que a prática da pesca esportiva mantém os peixes vivos. “O tucunaré é fisgado, fotografado e devolvido ao rio. Nosso objetivo é preservar. Esse trabalho que o deputado está fazendo aqui em Roraima é essencial para evitar a morte de rios como o Araguaia, que levou anos para se recuperar”, comentou.
Já Renato Zaniboni, dono de pousada no rio Itapará, reforçou a necessidade de fiscalização contra pescadores clandestinos. “Operamos com licença ambiental e não permitimos a captura do tucunaré. Se todos seguirem as regras, o Baixo Rio Branco continuará intocado”, frisou.
Próximos passos
Durante os dois dias de viagem, Soldado Sampaio percorreu os rios Água Boa do Univinir, Itapará, Catrimani e Branco. Segundo ele, as sugestões coletadas serão analisadas para integrar o texto do novo Código Ambiental, que promete ser um marco para a preservação da Amazônia roraimense e para o fortalecimento do turismo sustentável no Baixo Rio Branco.
Sampaio se comprometeu a ouvir novamente os guias de Santa Maria do Boiaçu, dessa vez em reunião em Boa Vista. O relator também agendou visita às outras comunidades da região e vai realizar audiências públicas nos próximos dias 29 e 30, em Caroebe e Rorainópolis, respectivamente.