A Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR) sediou, nesta sexta-feira (18), um debate que pode abrir novas perspectivas para o desenvolvimento econômico, científico e tecnológico do estado.
O 1º Fórum de Elementos Terras Raras, Minerais Estratégicos e Críticos em Roraima, realizado no Plenário Valério Caldas de Magalhães, reuniu autoridades, pesquisadores e especialistas para apresentar estudos, resultados e possibilidades relacionadas ao potencial mineral de Roraima.
Para Fernando Machado, superintendente de Estudos Técnicos, Desenvolvimento de Políticas Públicas e Integração da ALERR, a participação do Legislativo é importante porque avanços no setor também passam pela construção de políticas públicas e pelo aprimoramento da legislação.
“A atração desses investimentos para o estado de Roraima é muito importante porque nós precisamos desenvolver de forma qualificada a região. E a importância da Assembleia participar dessa discussão é muito relevante, porque aqui podemos produzir leis e ajudar as próximas indústrias que vierem a ser instaladas, com incentivos, desenvolvimento e também com proteção”, explicou.
O superintendente destacou ainda que o desenvolvimento econômico precisa caminhar junto com a preservação ambiental e o respeito às questões fundiárias.
“A legislação acontece aqui, ela parte daqui. Então, a Assembleia precisa participar, precisa ser uma parte importante nessa discussão para ajudar o governo a atrair investimentos”, completou.
Pesquisas são realizadas pela UFRR e da USP no Complexo Barreira, localizado em Caracaraí, o Complexo Barreira. As equipes afirmam ter identificado, em amostras de argila, 16 dos 17 elementos classificados como terras raras. Os estudos ainda estão em fase de prospecção e análise, mas os resultados já despertam interesse científico e econômico.
Professor e pesquisador da UFRR, Vladimir de Souza, relatou que o fórum representa um momento importante para apresentar à sociedade o potencial revelado pelos estudos.
“Esse encontro vai ser um marco porque nós mostraremos a potencialidade da descoberta que ocorreu aqui das terras raras, de minerais críticos, e também a importância econômica que isso pode ter para o estado de Roraima e para o Brasil. Os números impressionam muito e podem mudar totalmente a nossa economia”, afirmou.
O professor e pesquisador da USP, Henrique Eisi Toma, afirma que Roraima tem uma oportunidade de desenvolver conhecimento e tecnologia a partir de uma realidade ainda em construção.
“Então, é uma chance de inovação, é uma chance de se projetar no mundo sem depender de coisas que já existiam. Roraima tem um potencial muito grande. Em cima desse produto tem que haver conhecimento, ciência e tecnologia. Isso tem que andar junto. Uma coisa só não basta. A gente precisa das duas coisas”, avaliou.
As pesquisas no Complexo Barreira também despertam expectativas em relação à atração de investimentos para o estado. De acordo com Lucergio Barreira, pesquisador e proprietário do lugar, a iniciativa representa uma nova frente para a mineração no estado.
“É o primeiro fórum de terras raras de Roraima. É o primeiro projeto, a primeira pesquisa de terras raras no estado. A expectativa é de investimentos nos próximos anos de mais de R$ 10 bilhões, com a mineração legal. É um projeto que pode alavancar a economia do estado”, destacou.
Ao sediar o primeiro fórum sobre terras raras e minerais estratégicos do estado, a Assembleia Legislativa se coloca como espaço de diálogo entre ciência, setor produtivo, poder público e sociedade em torno de um tema que pode ganhar cada vez mais importância na agenda de desenvolvimento de Roraima.