Temer, que foi sondado por Trump sobre invasão da Venezuela, defende recomposição de relações com o vizinho.

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Em meio a debates internos e informais em alguns setores do governo Jair Bolsonaro sobre o futuro da relação entre Brasil e Venezuela, o ex-presidente Michel Temer e o ex-chanceler Aloysio Nunes defenderam a necessidade de que exista um vínculo entre Estados, como foi mantido durante a gestão de Temer, apesar da expulsão, na época, do então embaixador brasileiro em Caracas, Ruy Pereira.

Em participação num curso sobre a história da diplomacia brasileira, organizado pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Temer lembrou que seu governo questionou o regime político venezuelano, mas rechaçou, em todo momento, ações drásticas contra a Venezuela, entre elas uma sondagem feita pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de uma intervenção militar no país vizinho:

— O Trump chegou a nos convidar numa ocasião para um jantar, quando ele queria muito modestamente nos perguntar se queríamos intervir na Venezuela, a ideia de intervenção era de intervenção militar — contou Temer.

O jantar ocorreu em Nova York em 2017, em paralelo à Assembleia Geral das Nações Unidas. Também estiveram presidentes os presidentes de Chile, Paraguai e Panamá, entre outros. Segundo relatou Nunes ao GLOBO, “durante o encontro houve apelos [de outros presidentes] a Trump para que fosse mais duro com a Venezuela”. O ex-chanceler disse nunca ter sabido da proposta de intervenção militar feita a Temer, provavelmente porque “era totalmente descabido, fora do que nós pensávamos”.

— O que nós sempre defendemos é que havia ocorrido uma ruptura constitucional na Venezuela, e por isso o país foi suspenso do Mercosul. Todo nosso esforço foi por tratar do assunto no âmbito da Organização de Estados Americanos (OEA), havia um receio de que houvesse uma ação unilateral dos EUA — diz Nunes.

No evento do Cebri, Temer afirmou que, “no caso da Venezuela, nós não admitíamos o regime político, mas jamais fizemos objeções de natureza institucional. A relação é de Estado a Estado, assim como de respeito ao seu povo. Tanto é assim, que nós acolhemos os venezuelanos, é uma visão universalista, multilateralista”.

Em 2018, quando vários países se negaram a reconhecer a reeleição de Maduro, em maio daquele ano, Nunes lembra que o Brasil se afastou do então recém-criado Grupo de Lima — hoje desarticulado e sem a relevância que teve em 2019 e 2020 — porque “para nós a reeleição do Maduro era um fato que não nos cabia desconhecer”.

Contatos com Caracas

Nunes mantém até hoje contatos com membros do governo Maduro, entre eles o ministro das Relações Exteriores, Jorge Arreaza. Segundo ele, Arreaza enviou há pouco tempo uma mensagem através de um embaixador venezuelano, solicitando apoio ao pedido do governo Maduro de que haja algum tipo de recomposição da relação bilateral.

— Nós nunca rompemos com a Venezuela. Sempre mantivemos contatos por questões de fronteira e outras. Sem o respaldo da Venezuela, não teríamos sido escolhidos como sede da Cop 25 [conferência do clima que acabou não sendo realizada no Brasil por decisão de Bolsonaro] — afirma Nunes, que disse ter conversado sobre o assunto com o deputado Aécio Neves (PSDB-MG), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa da Câmara.

Embora existam opiniões divergentes, sobretudo entre membros da ala militar no Palácio do Planalto, o governo Bolsonaro mantém o reconhecimento a Juan Guaidó como presidente legítimo da Venezuela e de sua embaixadora, Maria Teresa Belandria, como representante diplomática do país no Brasil. O chanceler Carlos França organizou recentemente um almoço no Paládio do Itamaraty em homenagem a Belandria, no qual reiterou a posição brasileira de apoio “às forças democráticas venezuelanas lideradas pelo presidente Juan Guaidó”.

Embora desde a chegada de Bolsonaro ao poder o Brasil tenha liderado o grupo de países na região que não reconhece a Presidência de Maduro, o canal de diálogo entre as Forças Armadas de ambos os países nunca foi hechado.

Informações: Globo conteúdos.

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By peronico

Expedito Perônico, jornalista e colunista de política. Este blog cobre os bastidores do poder em Roraima e em Brasília. Já atuei nos principais veículos de comunicação de Roraima.

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