A fatura jurídica de Alexandre Ramagem acaba de respingar na estreia eleitoral de sua mulher, Rebeca Ramagem. Estreando na política, a candidata a deputada federal pelo PL do Rio de Janeiro e procuradora em Roraima – há meses ausente do trabalho - Rebeca recebeu intimação do Tribunal Regional Eleitoral fluminense (TRE-RJ) para explicar as condenações do marido no processo de registro de sua candidatura.
A Justiça Eleitoral quer avaliar se os crimes do ex-chefe da Abin bolsonarista impedem a mulher de disputar a eleição.
Casada com Alexandre Ramagem, ex-deputado federal e ex-chefe da Abin do governo Bolsonaro, ela foi intimida pelo TRE a se manifestar, no prazo de três dias, sobre a condenação do marido “pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e Golpe de Estado”.
O despacho, assinado pelo desembargador Paulo Cesar Salomão Filho, também cita possível incidência do artigo 17 da Constituição Federal que proíbe expressamente a utilização pelos partidos de organização paramilitar.
Outros barrados
É o mesmo artigo que vem sendo usado como base pelo tribunal para barrar o registro de candidatos suspeitos de ligação com o crime organizado. O deferimento do registro de Rebeca ainda está pendente de julgamento. Após sua manifestação, o caso será remetido à Procuradoria Regional Eleitoral.
Campanha com bonecos de papelão
É a primeira vez que Rebeca, procuradora do estado de Roraima, tenta entrar na política. No Rio, ela busca atrair o voto de antigos eleitores do marido, mas fazendo campanha a partir dos Estados Unidos. Tem chamado a atenção a estratégia de se fazer presente nas ruas, em adesivaços, com bonecos de papelão.
Além dos números da campanha
Em sua declaração de bens, Rebeca informou um patrimônio modesto de R$ 542,1 mil, concentrado quase todo em aplicações de renda fixa, fundos e previdência privada. Mas o patrimônio declarado expõe apenas uma parte da situação que cerca sua estreia eleitoral. A outra está no processo de registro da candidatura, agora sob análise do TRE-RJ devido as condenações de Alexandre Ramagem.
Hiran na mira da PF
O senador Hiran Gonçalves (PP) é autor de uma emenda de R$ 1,5 milhão, apresentada quando exercia o mandato de deputado federal, que integra uma investigação da Polícia Federal (PF). O caso apura suspeitas relacionadas à aplicação de recursos públicos destinados ao município de Iracema (RR) e tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Flávio Dino.
Emenda para Iracema
Entre os recursos analisados está a Emenda Parlamentar 202133960003, apresentada por Hiran quando ainda era deputado federal. No valor de R$ 1,5 milhão, a verba foi destinada à pavimentação de ruas em Iracema e integra os elementos analisados no Inquérito Policial nº 2025.0104941, que tramita no STF no âmbito da Petição 15.592/DF, sob relatoria de Flávio Dino.
Pagamento integral
Segundo os dados analisados, a União realizou o pagamento integral da emenda em agosto de 2021, enquanto o plano de trabalho registrado no Transferegov.br estabeleceu o cronograma de execução da obra entre 1º de janeiro de 2025 e 1º de janeiro de 2028. A documentação registra, portanto, um intervalo de mais de três anos entre o repasse dos recursos e o início previsto da execução física da obra, circunstância que integra a análise sobre a aplicação da verba.
Conta em Caracarai
Os recursos destinados a Iracema foram depositados em uma conta vinculada a uma agência bancária localizada em Caracaraí (RR), conforme o relatório. A mesma conta também recebeu recursos provenientes de emendas de outros parlamentares. A utilização da conta para diferentes repasses aparece entre os pontos analisados na investigação quanto à rastreabilidade da movimentação dos recursos públicos.
Emendas para São Paulo
Levantamento da REVISTA CENARIUM também identifica São Paulo (SP) como o principal destino individual das emendas de Hiran na base de maior volume analisada, com R$ 7.174.857,00 pagos. Brasília (DF) aparece com R$ 801.971,40. Em Roraima, entre os principais destinos dos recursos estão Boa Vista, Cantá, Caracaraí e Pacaraima.
Dinheirama ao Cantá
Outro dado identificado na base analisada é a presença de dois registros referentes a Cantá (RR). O município aparece em uma posição com R$ 5.429.315,00 e em outra com R$ 3.960.000,00. O material consultado não apresenta, nos registros analisados, detalhamento que esclareça a diferença entre os valores.
Xingu joga a toalha
Veterano na política, com dois mandatos de deputado estadual, Jânio Xingu jogou a toalha e desistiu de disputar uma das 24 vagas na Assembleia Legislativa nas eleições de outubro. Não expôs as reais razões da desistência, mas o fato de citar “motivo de ordem pessoal” para abandonar o pleito, significa que não conseguiu viabilizar a candidatura dentro do seu próprio grupo.
Coração aberto
“Com o coração aberto e com a mesma sinceridade e lealdade que sempre pautaram nossa caminhada, decidi, após muita reflexão, retirar minha candidatura a Deputado Estadual.
Não se trata de decisão fácil, mas necessária por motivo de ordem pessoa”, escreveu Xingu em comunicado publicado no Instaram. Disse que caminhará ao lado de um amigo que disputa a reeleição e dirá mais tarde quem apoiará ao Governo.