12/09/2026 às 07h32min - Atualizada em 12/09/2026 às 07h32min

O B a BÁ do PERÔNNICO: Nunes Marques sofre protestos em Boa Vista por “ressuscitar” o ex-deputado cassado Jalser Renier

Expedito Peronnico

Expedito Peronnico

Política, bastidores, negócios.

Kássio Nunes Marques em Boa Vista, nesta sexta-feira 11. Foto: G1RR

O ministro Kássio Nunes Marques pode provar em Boa Vista que deixar Jalser Renier participar do pleito deste ano não agradou ao povo de Roraima.

Um grupo de pessoas se reuniu nesta sexta-feira, 11, em frente ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para protestar contra a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, de forma monocrática, autorizou por liminar – uma ação provisória e instável – que o ex-deputado pudesse concorrer a uma das 24 vagas de deputado estadual em Roraima.

O ministro veio ao Estado para participar de palestra, e de uma ação do TRE no Portal do Milênio, na Praça das Águas, no Centro de Boa Vista, de treinamento ao público sobre como usar a urna eletrônica e depois de uma cerimônia de outorga da Medalha do Mérito Eleitoral, na sede da Justiça Eleitoral, na capital.

Jalser teve o mandato cassado na Assembleia Legislativa de Roraima em fevereiro de 2022, sob a acusação de mandado sequestrar e torturar o jornalista Romano dos Anjos.

A manifestação de protesto contra Nunes Marques reuniu dezenas de pessoas que empunharam faixas com mensagens de absoluta repulsa pela decisão que colocou Jalser na campanha deste ano.

“Depois de tantos recursos negados, o que mudou agora”?. “Roraima não terra sem lei”. “Quem manda sequestrar, manda matar”. “Não aceitamos bandis candidatos”, são frases que estampavam as várias faixas estendidas em frente ao TRE.

Inelegível até 2030

Pela perda do mandato Jalser teve os direitos políticos cassados até 2030 e por está inabilitado para as eleições deste ano, já havia até escolhido sua substituta à Assembleia Legislativa: a esposa, Dra. Taty. Eis que, de repente, aparece o ‘bom samaritano’, ‘o benevolente’  Nunes Marques e, como num toque de mágico, coloca Jalser na campanha. Jalser então encaminha a candidatura da esposa à Câmara Federal e se lança de novo a estadual.

Recursos negados

Antes de ‘retornar dos mortos’ – pelas santas mãos de Nunes Marques, Jalser tentado uma dezena de vezes com recursos iguais ao que foi aceito pelo presidente do TSE. Interessante que o próprio nunes Marques já havia negado pedidos de Jalser no STF, e outro tanto foi negado no STJ. Ele tentava reverter a cassação e adquirir de volta os direitos políticos. O que não foi permitido pela Justiça. Mas Nunes Marque tornou o desejo de Jalser possível. O que terá acontecido, hein?!

A coisa andou rápido

Nessa relação de Jalser com Nunes Marques, algo interessante e que desperta curiosidade, é que o recurso do ex-deputado andou no silêncio mas dentro de uma ligeireza exemplar. Aconteceu a poucos dias do encerramento do prazo de registro de candidaturas no TER. O ex-deputado entrou com o processo no STF no dia 7 de julho e obteve a autorização do ministro nove dias depois. Algo significativo quando todo brasileiro de ciência própria que as decisões no STF em geral caminham a passos de tracajá.

Caso Romano

O sequestro de Romano dos anjos ocorreu em outubro de 2020, quando bandidos encapuzados invadiram a residência do jornalista. Ele foi tirado de casa e levado para uma região de lavrado na zona rural de Boa Vista, onde foi torturado, enquanto sua esposa, a apresentadora Nattacha Vasconcelos foi mantida em cárcere privado. Ela é servidora efetiva da Assembleia, que na época era comandada por Jalser Renier.

Jalser é preso

Um ano depois do sequestro a Polícia Civil e o Gaeco do Ministério Público de Roraima (MPRR) prenderam o então deputado na segunda fase Operação Pulitzer. Três policiais de alta patente da Polícia Militar, e que encabeçavam a equipe de segurança de Jalser também foram presos. Dias antes, a operação já havia prendido outros policiais e um ex-servidor da ALE-RR.

Caso no TJ

Cinco anos depois de iniciadas e já concluídas as investigações com a denúncia de todos os envolvidos, inclusive do Jalser, o caso segue no Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) e já percorreu todos os passos necessários, faltando apenas a conclusão com a sentença conclusiva.

‘Presidente presidiário’

Uma outra passagem que ilustra o currículo político de Jalser é o registro de sua prisão no rumoroso ‘Escândalo dos Gafanhotos. Jalser virou réu e condenado por desvio de dinheiro público em esquemas históricos de corrupção no Estado. Era o soberano na nuvem de insetos que comiam a folha de pagamento do Estado. Jalser foi recolhido pela condenação mas continuou com certa naturalidade presidente a Assembleia Legislativa até ser cassado em seguida.

De noite na cadeia, de dia na ALE

Mesmo com a prisão nos gafanhotos, Jalser pode seguir no cargo e trabalhando na ALE-RR, uma vez que sua prisão se deu no regime semiaberto. Ou seja, presidia a Assembleia durante o dia e ao final da tarde era recolhido a cadeia. À época, enquanto durou a tranca, Jalser passou parte do período de recolhimento ocupando uma sala improvisada como cela em um quartel da PM no centro de Boa Vista.

6 anos e 8 meses

Pela participação no “Escândalo dos Gafanhotos”, Jalser foi condenado6 anos e 8 meses em regime semi-aberto. A prisão foi determinada pelo desembargador federal Ney Bello, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região pelo crime de peculato. De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o deputado teve participação decisiva no esquema de desvio de verbas públicas.

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