Em uma conversa de Podcast, onde participei como convidado da jornalista Cyneida Correa, o governador Soldado Sampaio (Republicanos) detonou a gestão de seu antecessor Antônio Denarium, de quem foi aliado.
Fez duras críticas ao ex-governador pela má condução do Estado durante quase 8 anos, deixando o povo de Roraima na pior.
Sampaio ironizou o slogan “Cada Dia Melhor”, utilizado pelo governo anterior, e classificou como “inaceitável” a situação encontrada na rede estadual de ensino, na saúde, segurança pública e principalmente na infraestrutura, com o interior abandonado.
“Essa história de ‘Cada Dia Melhor’, eu não sei para quem. É inaceitável. É um crime que tem sido cometido nos últimos anos, o abandono da educação de Roraima”, declarou.
Indicadores negativos
Na avaliação de Sampaio, os problemas atingem também as escolas localizadas em comunidades indígenas. O governador citou ainda o desempenho de Roraima em indicadores educacionais e defendeu mudanças para melhorar a qualidade do ensino.
Estado de abandono
“As escolas nas comunidades indígenas estão abandonadas. Roraima hoje, junto com o Acre, junto com o Rio de Janeiro, aparece nos últimos lugares quando se fala na qualidade de ensino. Precisamos urgentemente rever isso”, afirmou.
Estado de caos
Pode parecer pleonasmo, mas o Estado de Roraima foi deixado em ‘estado de caos’, disse Sampaio após Denarium/Damião (o vice de Denarium) deixarem o Governo em maio último. “Encontramos o caixa quase vazio”, relatou Sampaio.
Caixa quase vazio
Diferente do que tem afirmado constantemente, Denarium não deixou o tesouro estadual abastecido. Diz com frequência que quando renunciou ao Governo em abril, vários bilhões de reais foram deixados no caixa. Sampaio desmente o antecessor. “Quando assumi encontramos lá apenas R$ 64 milhões e um punhado de dívidas. Se eles (Denarium/Damião) deixaram tanto dinheiro com dizem, deve está escondido em algum lugar”.
Sangria no caixa
Com relatórios financeiros dos primeiros cinco meses de 2026, Sampaio mostrou que houve na verdade uma sangria do dinheiro público entre janeiro e maio. Houve, segundo ele, um esvaziamento do tesouro com pagamentos adiantados e em excesso. E ficou para ele dívidas além de R$ 360 milhões.
Terra arrasada
Ao assumir o governo em maio, Sampaio relata que encontrou um cenário de terra arrasada. Contas empilhadas, sem dinheiro para saldar dívidas imediatas e problemas na saúde, educação, segurança, estradas e pontes quebradas, um caos. Mas assegurou que aos poucos, com vontade e dedicação, muito do que Denarium não realizou em mais de 7 anos, o governo dele conseguiu em 100 dias.
Destaque para a saúde
Sampaio listou as prioridades da gestão, mas destaca que a saúde tem hoje e terá uma maior atenção no futuro. Citou por exemplo que o número de cirurgias no HGR saltou de 330 em maio para um total próximo de 2 mil até o fechamento deste mês agosto. “Saímos de quase 330 cirurgias por mês e tô fechando agora o mês de agosto com 2.000 cirurgias. Fizemos 2.100 no mês de julho”, afirmou.
Fim das filas
O governador também citou queda de 91% na fila de cirurgias de vesícula e hérnia, além da retomada de cirurgias ortopédicas eletivas, com 3 mil procedimentos previstos.
De domingo a domingo
De acordo com Sampaio, o HGR e o Hospital Regional Sul, em Rorainópolis, passaram a funcionar de domingo a domingo, com plantões dedicados a cirurgias eletivas. Ele mencionou ainda a reabertura do centro cirúrgico do Hospital de Caracaraí depois de 11 anos parado, a inauguração do Hospital do Bonfim, a retomada de atividades do Hospital de Normandia e a determinação para o reinício das obras de reforma dos hospitais de Mucajaí e Pacaraima.
Mais investimentos
O governador anunciou a construção da nova Policlínica Estadual e da ampliação do HGR, que receberá mais 180 leitos, com investimento de R$ 123 milhões por meio do Novo PAC Saúde. Também foi destinado o terreno para o novo Complexo de Saúde da Zona Oeste Dr. Alceste Madeira, onde será construída a nova maternidade, pronto atendimento, centro de referência em saúde da mulher, centro de referência em autismo e doenças raras, além de uma oficina ortopédica.
Dívida previdenciária
Sampaio revelou que quando Denarium assumiu o governo em 2019, herdou de Suely Campos uma vívida previdenciária de R$ 300 milhões. A conta ultrapassa atualmente os R$ 700 milhões. Vai ter que parcelar e já encaminhou projeto de lei para a Assembleia pedindo autorização para ajustar essa conta.
Precatórios bilionários
Outra conta deixada por Denarium que ameaça inviabilizar o Estado e causar uma desestabilização total das finanças, trata-se de precatórios acumulados. Quando Denarium assumiu o Governo, Roraima acumulava R$ 73 milhões de precatórios não pagos. E como Denarium não pagou nada, a conta subiu R$ 1,111 bilhão. Denarium deixou ainda mais de R$ 340 milhões de dívidas de curto prazo.
Consignado, um caso de polícia
E para fechar a conta sobre as finanças estaduais, mais um estrago deixado por Denarium: mais de 14 mil servidores estão com a corda no pescoço por conta dos empréstimos consignados. Sampaio disse que determinou que a Polícia Civil investigue o que ele chama de “agiotagem no consignado”, o que deixou milhares de famílias hiper endividadas, com juros excessivos de 8% cobrados ao mês.
Primeira pesquisa
E a tão aguardada pesquisa Quaest para o Governo de Roraima foi finalmente revelada na noite desta quinta-feira (27) pela TV Roraima: aponta o ex-prefeito Arthur Henrique (PL) com 60% e Soldado Sampaio (Republicanos) com 27% de intenção de votos. Tem ainda Rosi Aires (PSOL): 1%, Clébio Genuíno (PCO): 0%, Farah Mesquita (Solidariedade): 0%, Indecisos: 9% e Branco/nulo/não vai votar: 3%. Os dados acima são da pesquisa estimulada.
Diferença cai
Mas na pesquisa espontânea, Arthur cai 20 pontos percentuais e aparece com 40%; Sampaio com 19%. Neste cenário, 40% seguem indecisos. Parece muito estranho esses dados tão discrepantes, mesmo considerando a margem de erro. De qualquer forma se verdade, a eleição ainda estaria, inclusive com a possibilidade de realização de um segundo turno.
Senado embolado
Na frente na pesquisa Quaest para o Senado, a ex-prefeita Teresa Surita (MDB) aparece com 19%, mas tem logo ali na cola os deputados federais Nicoletti (PL) com 17% e Helena da Asatur (PSD) 16% e o senador Chico Rodrigues (PSB) 11%. Hélio (Negão) Bolsonaro (PL) tem 5% e Pastor Isamar (União) tem 3%. Regina Tio Ivo (Novo): 2%, Márcio Junqueira (PSDB): 1%, Bartô Macuxi (PSOL): 1%, Hilton Xavier (Avante): 1%
PL privilegia Nicoletti
Queridinho dos ‘bolsonaro’ o deputado federal Hélio Lopes Negão Bolsonaro parece desprestigiado no PL, partido pelo qual se aventura na busca por uma das vagas de senador em Roraima. Na distribuição do fundo partidário, o deputado Nicoletti - concorrente direto de Negão - abiscoitou a maior fatia do bolo: recebeu R$ 3,115 milhões de Valdemar da Costa. Para Hélio Negão, filho postiço do bozo, apenas R$ 500 mil.
Arco de alianças
E para fechar a coluna de hoje eis um dado interessante da política local na corrida pelo Palácio Senador Hélio Campos. O governador Sampaio reúne um verdadeiro arco de alianças: são 20 deputados estaduais, 12 prefeitos, um montão de vices e centenas de vereadores. Tem ainda o apoio de 6 dos 8 deputados federais. Resta saber se toda essa mobilização resultará em votos e será capaz de tirar a diferença em relação a Arthur Henrique.