Na minha Paraíba ‘vergonha na cara é princípio’. Vergonha na cara é base da integridade pessoal. ‘Vergonha na cara’ é o freio moral imediato que evita o erro por autorrespeito. ‘Vergonha na cara’ é a consciência moral e o incômodo com o próprio erro. Significa ter orgulho próprio.
Dito isto vamos ao núcleo da questão. Diz respeito ao ex-governador Antonio Denarium que se entregou sem ser invitado ou convocado, à campanha ao governo do ex-prefeito Arthur Henrique.
Denarium se ofereceu sem ser chamado a se juntar ao time de Arthur, quando se viu desamparado legalmente – afetado pelos crimes eleitorais que o deixou sem o gozo dos direitos políticos – e aparece como figurante na campanha, exibindo-se em reuniões e atos públicos mesmo sendo ignorado nas falas do candidato que apoia.
Falar do desastre que foi a gestão de Denarium nos últimos 7 anos e 3 meses é o que Arthur Henrique faz em todas as reuniões, aqui em Boa Vista e principalmente no interior.
Mesmo com o aliado [Denarium] bem ali do lado, Arthur não tem a menor timidez em lascar o verbo na desconstrução do Governo de Denarium, para ele, uma catástrofe.
Arthur explode na crítica ao abandono de Roraima, citando estradas vicinais intransitáveis, pontes quebradas, escolas mal cuidadas, saúde precária, ausência de segurança, colonos desamparados, ausência de programas sociais.
Ou seja, para Arthur, nos últimos sete anos Roraima regrediu, retrocedeu, perdeu intensidade e quase não se desenvolveu. E quem estava no comando do Estado? O hoje aliado Antonio Denarium.
A mais recente descompostura de Arthur no Denarium, uma repreensão mesmo, aconteceu nesses dias quando os dois estiveram em campanha pelo município de Uiramutã classificado como o pior município do Brasil pelo índice do IDH. A reunião aconteceu em um prédio abandonado, desgastado pelo tempo, em estado absoluto de decadência.
E ali, naquilo que seria uma escola indígena, Arthur falou que a Educação em Roraima ficou esquecida nos últimos anos e por estarem fazendo campanha em propriedade pública – uma conduta vedada pela justiça eleitoral – Arthur foi repreendido com uma ação da coligação de Soldado Sampaio e obrigado a remover a propaganda eleitoral ambientada na escola indígena.
Aborrecido com a demanda judicial, Arthur foi se queixar do atual Governo pelo abandono das escolas no interior do Estado, o que moveu uma réplica do governador Soldado Sampaio, que aplicou um curativo bem na ferida, óbvio, expondo aquilo que todos sabemos: a culpa pelo caos na educação em Roraima nos últimos sete anos tem nome e sobrenome (Antônio Olivério Garcia de Almeida), vulgo Antonio Denarium, hoje o principal aliado de Arthur.
Denarium não foi capaz de construir uma única sala de aula nesses anos todos, apesar dos bilhões de reais que manejou nos maiores orçamentos da história de Roraima. A educação ficou tão degradada e esquecida que o Governo de Denarium recorreu a estruturas de lonas para montar salas de aulas, porque não foi capaz de erguer escolas de alvenaria decentes.
Há os que acreditam que Denarium tem levado algum prestígio na campanha de Arthur. Mas a maioria acha Denarium uma peça descartável, sem influência e que de certa forma trava muitas vezes o discurso devorador de Arthur sobre o estado de abandono agora testemunhado pelo ex-prefeito em sua campanha pelo interior.
Com vantagem na pesquisa eleitoral, Arthur ainda tem a opção e tempo de enjeitar Denarium. Os últimos 30 dias da campanha serão fundamentais para manter a dianteira ou se não fizer a coisa certa, pode desandar.
E a presença de Denarium não agrega nada na campanha de Arthur. E ao Denarium só resta uma saída, ensacar a viola e procurar outra freguesia para tocar seu samba empacotado. Cai fora, Denarium. Toma vergonha na cara, rapaz!