Nas profundezas da Amazônia, o minério que solda os microchips da inteligência artificial, está também na tela do seu celular e impulsiona a transição energética mundo afora tornou-se a nova fronteira do crime organizado na floresta.
Documentos sigilosos da Operação Forja de Hefesto, da Polícia Federal, e apurações do Ministério Público Federal (MPF) obtidos com exclusividade pelo O GLOBO revelam como a cassiterita — o chamado "ouro negro" do extrativismo — retirada ilegalmente da Terra Indígena Yanomami teria abastecido a cadeia de suprimentos de gigantes globais como Apple, Microsoft, Amazon, Walt Disney e Sony, entre outras, como Starbucks, Caterpillar, PepsiCo, Colgate-Palmolive, Victoria’s Secret e até a fabricante do jeans Levi´s.
A cassiterita é a matéria-prima bruta encontrada na natureza, da qual se extrai, após o processo de fundição e refino, o estanho em estado puro.
Grupos organizados
Em território Yanomami, em Roraima, a extração operava com divisão técnica de trabalho. Nos garimpos do Baixinho e da Pupunha, escavadeiras e bombas eram operadas por grupos organizados: raizeiros limpavam a vegetação, jateiros construíam estruturas de contenção e maraqueiros operavam a sucção do sedimento.
Logística própria
A estrutura contava com logística própria de aviação clandestina, operando a partir de pistas abertas na floresta, além do uso de mercúrio no garimpo de ouro associado.
Produto legalizado
O passo seguinte era legalizar o produto. A cassiterita recolhida pelo intermediário Nelcides de Almeida Mello (morto no mês passado em acidente de trânsito) era registrada com papéis falsos fornecidos pela Cooperativa de Produtores de Estanho do Brasil (Coopertin).
Sede de fechada
A cooperativa mantinha uma sede em Boa Vista sem atividade operacional ou funcionários, mas emitia guias e notas fiscais para simular que o minério vinha de lavras autorizadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM).
O incômodo de Arthur
O candidato Arthur Henrique (PL) não esconde o incômodo de ter Antonio Denarium como aliado. Não resta dúvida que Denarium ainda exerce certa liderança, sobretudo no interior. O Incômodo é visível porque para falar de suas propostas futuras, Arthur tem que reprovar as gestões do passado. E todos sabem o que foi a gestão do Denarium nos municípios. Um desastre...
O desastre da educação
Na educação o ex-prefeito afirma que a prioridade inicial será garantir que os estudantes tenham condições de chegar e permanecer nas escolas, especialmente nas comunidades do interior. Segundo ele, problemas como transporte escolar, pontes e ausência de professores ainda impedem parte dos alunos de frequentar as aulas regularmente.
Escolas de lonas
Não custa lembrar, nos mais de 7 anos de Denarium no comando do Governo, nenhuma sala de aula foi construída. E caindo aos pedaços, algumas escolas foram substituídas por estruturas de lona. Arthur não bate diretamente na ferida para não machucar o aliado, mas nas entrelinhas a queixa é visível.
Diagnóstico e prioridade
Na infraestrutura, o candidato afirma que pretende realizar um diagnóstico das estradas e priorizar os trechos considerados estratégicos para o escoamento da produção e o acesso de comunidades isoladas.
“Eu prefiro não fazer a promessa, mas fazer a entrega. Então, assim como nós fizemos em Boa Vista o maior programa de asfaltamento de vicinal da história, nós vamos fazer um grande programa no governo do estado também”, disse.
O dinheiro da mala
Um empresário do ramo da construção civil foi abordado com R$ 4 milhões em espécie após sacar o dinheiro em um banco de Boa Vista, em Roraima é muito conhecido em Roraima: trata-se de Luiz Brito, dono e fundador da LB Construções.
Nota de esclarecimento
A LB Construções Ltda. divulgou uma nota de esclarecimento nesta segunda-feira (7) após a repercussão do caso. De acordo com a nota, Luiz Brito foi conduzido à sede da Polícia Federal após realizar uma movimentação financeira em uma agência bancária de Boa Vista. A defesa afirma o empresário prestou os esclarecimentos solicitados e apresentou documentação que, segundo a defesa, comprovaria a origem lícita dos recursos.